Prevenção ao uso de Drogas |
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Um dos fatores importantes para o bom desempenho profissional do trabalhador é a manutenção de sua qualidade de vida, traduzida no equilíbrio das diversas dimensões que o envolvem, principalmente no que diz respeito à saúde e ao estilo de vida. É necessário registrar que a preocupação com o consumo de substâncias psicoativas intensificou-se no mundo inteiro, particularmente nos países desenvolvidos, a partir dos anos 60.
No Brasil, em que pese a seriedade com que o tema vem sendo discutido pelas autoridades, é freqüente a divulgação de reportagens sobre drogas, com um grande espaço na mídia ocupado por informações centradas em procedimentos curativos. Tal fato se reflete nas políticas propostas para atacar o problema, que se caracterizam por priorizar, quase que exclusivamente, medidas repressivas.
A definição de políticas específicas para a solução do problema deve considerar a múltipla e complexa determinação da situação das drogas, que é um problema que se estrutura em torno de pelo menos três elementos fundamentais: a substância, o usuário e o contexto sociocultural. O conhecimento da situação do consumo de drogas no Brasil, sobretudo no âmbito do trabalho, necessita de análise mais abrangente e profunda, com vistas ao conhecimento dos impactos e prejuízos causados às empresas, o que poderá apontar para uma abordagem mais próxima da realidade, imprescindível para o sucesso das políticas implementadas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a dependência do álcool é a terceira doença que provoca maior número de mortes em todo o mundo, seja de forma direta, pela degeneração orgânica, seja indiretamente, por acidentes diversos. A dependência do álcool e de outras drogas está relacionada a aspectos físicos, psicológicos e sociais, que devem ser considerados e compreendidos em qualquer nível de intervenção, seja ela preventiva, terapêutica ou reabilitadora.
Estatísticas globais indicam que existem no Brasil em torno de 15 milhões de dependentes do álcool, representando aproximadamente 10% da população brasileira. Estima-se, no entanto, que essa porcentagem é bem superior, uma vez que importante parcela das ocorrências registradas refere-se ao diagnóstico de patologias correlatas ou decorrentes do uso abusivo do álcool. Segundo dados da Associação Brasileira de Estudos sobre o Álcool e outras Drogas (Abead), de 1990, o alcoolismo é o terceiro maior motivo para absenteísmo ao trabalho e a oitava causa para concessão de auxílio-doença pela previdência social. Cerca de 75% dos acidentes de trânsito com vítimas fatais e 39% das ocorrências policiais estão associados ao uso de álcool. Se a isso for acrescida a destinação de 32% dos leitos hospitalares em psiquiatria e de 40% das consultas psiquiátricas a pacientes com abuso de álcool, é possível estimar que os custos diretos e indiretos com o consumo de álcool possam equivaler a 5,4% do PIB brasileiro. As empresas têm notado que o uso abusivo do álcool e de outras drogas é um problema que afeta grande número de trabalhadores, e que o excesso e a freqüência desse abuso reduzem a eficiência e a segurança no trabalho (54% dos acidentes de trabalho decorrem do uso abusivo de álcool). A dependência crônica promove a desagregação familiar e leva à marginalização social.
Nos últimos cinco anos, o Brasil gastou mais de R$ 550 milhões no tratamento de dependentes de álcool, cigarro e drogas ilícitas. Esse número representa apenas os custos com internações nos hospitais públicos e a medicação aplicada nos pacientes viciados, entre 1995 e o começo de 2000. A cifra pode ultrapassar os R$ 800 milhões, quando somados os gastos com as constantes campanhas antidrogas do governo e as atividades das polícias civis e militares no combate à disseminação do tráfico nesse mesmo período. Nesses cinco anos, o alcoolismo foi considerado uma das doenças que mais atingem os brasileiros, figurando em 4o lugar na lista de doenças que mais incapacitam os trabalhadores, segundo relatório da Previdência Social. Em 1996, o SUS (Sistema Único de Saúde) registrou o número mais alto de casos de cirrose hepática no país, doença causada pelo consumo abusivo de bebidas alcoólicas, estando entre as sete principais causas de morte em pessoas acima de 15 anos. O que mais alarmou as autoridades médicas brasileiras foi o número de jovens internados em estado grave por causa da bebida: 39.255, dos quais 3.626 morreram. Segundo o Ministério da Saúde, os transtornos mentais causados pelo abuso de drogas são a segunda causa de internações nos centros psiquiátricos públicos. Nos últimos três anos, tornaram-se também um dos cinco principais tratamentos mais procurados nos hospitais convencionais da rede SUS. Um estudo, realizado pelo governo desde 1993, aponta que o número de internações por distúrbios mentais associados ao consumo de drogas dobrou: em 1993 o governo registrou 5.429 pacientes internados, e em 1999 esse número passou dos 11 mil. Só no último ano, o Brasil gastou mais de US$ 3 milhões exclusivamente com esse problema. Se comparado com o começo da década, o valor gasto triplicou. Em 1993, quando o governo começou a divulgar esses dados, o dinheiro dedicado ficou em cerca de US$ 900 mil. Os problemas causados pelo fumo também merecem destaque nessa contagem. Segundo dados do Ministério da Saúde, o cigarro é responsável por 85% dos casos de aposentadoria por invalidez no trabalho, 30% dos casos de câncer, 25% dos casos de angina e 25% das doenças cérebro-vasculares. Até hoje o SUS gastou R$ 925.276.196,00 com o tratamento desses males.
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