Sua
atuação como monitor do programa e, conseqüentemente,
como formador de multiplicadores demandará um conhecimento
um pouco mais aprofundado sobre a aprendizagem humana.
Recomendamos desde já que você recorra à
bibliografia especializada sobre o tema, cuja complexidade
o torna fascinante. Você logo perceberá que
não há realmente um consenso sobre o que
seja "aprendizagem". Para alguns, a aprendizagem
pode resultar de um processo "de fora para dentro" (como
o ensino) ou de um processo gerado "de dentro para fora"
(auto-aprendizagem ou aprendizagem não decorrente
do ensino).
No
entanto, qualquer que seja a perspectiva adotada, é
fundamental que a relação educativa seja
pautada não apenas pelo prazer de comunicar conhecimentos,
mas, sobretudo, pelo prazer de interagir com tais conhecimentos
e apreendê-los de modo significativo e contextualizado.
No
entanto, fazer com que o aluno se interesse pelos conteúdos
propostos é um grande desafio para todos os que
lidam com situações de ensino. Certamente,
se o aluno não manifestar uma necessidade cognitiva
com relação ao tema, ele não vai
investir na aprendizagem com o fôlego desejado.
Tampouco os conhecimentos manipulados serão apreendidos
enquanto saberes a longo prazo. Então, por que
não permitir que seus "alunos", futuros
multiplicadores do programa, definam suas próprias
estratégias de aprendizagem, delimitem quais são
os problemas a serem investigados, quais os instrumentos
necessários e quais as soluções satisfatórias?
Evidentemente, tal postura demanda uma grande maleabilidade
no trabalho pedagógico, pois a emergência
de conhecimentos não previstos, de pontos de vista
divergentes, de posturas alternativas impõe uma
ruptura considerável com relação
aos paradigmas educacionais tradicionais. Nesse contexto,
não há mais lugar para o ordenamento de
conteúdos, geralmente dos mais simples aos mais
complexos; o professor não pode mais trabalhar
com temas de forma compartimentada; e os conteúdos
de diferentes áreas do conhecimento precisam apresentar
interações claras e explícitas. Enfim,
quando o professor organiza sua intervenção
de forma estratégica para que os alunos possam
também organizar-se espontaneamente, eles tendem
a reelaborar o que lhes foi proposto em função
de interesses, motivações e perspectivas
pessoais. E são justamente esses os componentes
necessários para o estabelecimento de necessidades
cognitivas.