É
oportuno ressaltar que para se obter resultados positivos
na árdua tarefa de ensinar, o professor deve procurar
trabalhar com conteúdos culturais relevantes e
motivadores, cujo significado seja de fácil assimilação,
procurando estabelecer vínculos com os conceitos
espontâneos dos seus alunos, o que certamente os
levará a compreender o todo e, conseqüentemente,
a aprender de modo significativo. Obviamente, quanto mais
fragmentado estiver o conteúdo, mais difícil
será a sua compreensão e a sua contextualização
dentro da realidade. Em oposição, quanto
mais abrangente, maior será a possibilidade de
ele ser significativo e motivador para os alunos.
A
ação pedagógica interdisciplinar
tem o poder de despertar o interesse e a curiosidade dos
alunos para a análise e a solução
das questões que lhes dizem respeito, estimulando,
assim, a formação de pessoas críticas
e criativas. Não obstante, no decorrer do processo
pedagógico o professor deve tentar gerar novos
interesses e não esperar apenas pela espontaneidade
dos alunos, posto que nem sempre o que estes propõem
tem valor educacional. Não é suficiente
que o trabalho proposto seja interessante e agradável,
ele tem que expressar um conteúdo pedagógico
relevante.
A
consecução de um programa pedagógico
interdisciplinar, independentemente dos instrumentos utilizados
nos processos de mediação do conhecimento,
é circunstanciada por fatores como: a motivação
do grupo para a realização das atividades,
o conhecimento da metodologia empregada, o domínio
no uso dos recursos técnicos, a clareza e o pleno
entendimento dos objetivos significativos. Adicionalmente,
a convicção nos pressupostos teóricos
e filosóficos que orientam a proposta pedagógica
apresenta-se como um fator fundamental para o seu êxito.
As implicações decorrentes de uma educação
sob uma perspectiva interdisciplinar, demandam:
- o
reconhecimento de que a qualidade do ensino está
intrinsecamente ligada ao processo de formação
e qualificação dos formadores;
- a
percepção de que as interações
sociais intervêm no processo de produção
do conhecimento;
- a
compreensão de que as relações
do indivíduo com o meio, com as outras pessoas
e consigo próprio constituem-se em fatores determinantes
para o desenvolvimento e equilíbrio humano;
- o
entendimento de que o respeito à individualidade
e à diversidade é condição
essencial para a consecução de uma prática
pedagógica interdisciplinar;
- a
necessidade de uma permanente comunicação
dialógica entre os atores desse processo, tendo
em vista a construção do coletivo social,
histórico e cultural;
- a
assimilação do fato de que o processo
de elaboração de programas interdisciplinares
funciona como uma estratégia de aperfeiçoamento
dos professores, posto que incrementa uma série
de atividades produtivas, como a pesquisa, o debate,
o estudo de novos métodos, etc.;
- a
constatação de que é preciso superar
a falsa dicotomia entre teoria e prática, pois
não é difícil comprovar que o intercâmbio
ou integração entre diferentes disciplinas,
em determinados casos, só é visível
nas situações em que a prática
precede a teoria;
- a
constante busca do sentido da totalidade, pois não
há como compreender o indivíduo sem ter
a visão do todo.
Sem
dúvida alguma, há relações
intrínsecas entre a estratégia didática
adotada para nortear a relação educativa
e o tipo de material didático a ser empregado como
suporte das interações. Ambos, currículo
e material didático, têm que corresponder
a expectativas comuns no que diz respeito à consideração
das especificidades da relação educativa.
Conseqüentemente, é crucial que o sistema
de educação integre um material didático
que corrobore objetivos de conduzir o aluno a, autonomamente,
construir, adquirir, integrar e reutilizar conhecimentos.
Tanto
quanto o material didático, a estratégia
didática delimitada funciona como uma espécie
de eixo para apoiar o processo de tratamento e de construção
de conhecimentos, para delimitar a relação
educativa, para facilitar o seu desenvolvimento e para
nortear as ações pedagógicas mais
adequadas para provocar aprendizagens.