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Conversa com o aluno
  
O uso de drogas no trabalho e na família é, sem dúvida, um fator altamente negativo para a qualidade de vida do trabalhador. Nesse sentido — e por considerá-la altamente importante —, nosso programa procura abordar essa temática, avançando no sentido de prover nossos monitores com alguns conhecimentos necessários para uma atuação educativo-preventiva em meios de trabalho. Comecemos provocando sua reflexão por intermédio do texto introdutório apresentado a seguir.

Reflexão
  Atualmente, o mundo todo vivencia de forma intensa o fenômeno da globalização da economia, que sob uma ótica simplista pode ser vista como a organização de empresas e economias em escala planetária. É possível perceber que esse fenômeno causa grande impacto na sociedade, uma vez que altera todo o processo produtivo e as relações sociais que nela se estabelecem. Além disso, em decorrência do desenvolvimento tecnológico, uma parte da mão-de-obra está sendo excluída do mercado formal de trabalho, passando a atuar no setor informal ou em setores da economia que não exigem do trabalhador maior qualificação. Entretanto, alguns postos de trabalho exigem maior qualificação profissional e trabalhadores bem preparados, capazes de criar e de lidar com situações inesperadas e com desafios. Nesse contexto, faz-se necessário que o trabalhador esteja mais bem preparado para o mercado de trabalho em constante transformação.

Um dos fatores importantes para o bom desempenho profissional do trabalhador é a manutenção de sua qualidade de vida, traduzida no equilíbrio das diversas dimensões que o envolvem, principalmente no que diz respeito à saúde e ao estilo de vida.

É necessário registrar que a preocupação com o consumo de substâncias psicoativas intensificou-se no mundo inteiro, particularmente nos países desenvolvidos, a partir dos anos 60.

No Brasil, em que pese a seriedade com que o tema vem sendo discutido pelas autoridades, é freqüente a divulgação de reportagens sobre drogas, com um grande espaço na mídia ocupado por informações centradas em procedimentos curativos. Tal fato se reflete nas políticas propostas para atacar o problema, que se caracterizam por priorizar, quase que exclusivamente, medidas repressivas.

A definição de políticas específicas para a solução do problema deve considerar a múltipla e complexa determinação da situação das drogas, que é um problema que se estrutura em torno de pelo menos três elementos fundamentais: a substância, o usuário e o contexto sociocultural.

O conhecimento da situação do consumo de drogas no Brasil, sobretudo no âmbito do trabalho, necessita de análise mais abrangente e profunda, com vistas ao conhecimento dos impactos e prejuízos causados às empresas, o que poderá apontar para uma abordagem mais próxima da realidade, imprescindível para o sucesso das políticas implementadas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a dependência do álcool é a terceira doença que provoca maior número de mortes em todo o mundo, seja de forma direta, pela degeneração orgânica, seja indiretamente, por acidentes diversos. A dependência do álcool e de outras drogas está relacionada a aspectos físicos, psicológicos e sociais, que devem ser considerados e compreendidos em qualquer nível de intervenção, seja ela preventiva, terapêutica ou reabilitadora.

Estatísticas globais indicam que existem no Brasil em torno de 15 milhões de dependentes do álcool, representando aproximadamente 10% da população brasileira. Estima-se, no entanto, que essa porcentagem é bem superior, uma vez que importante parcela das ocorrências registradas refere-se ao diagnóstico de patologias correlatas ou decorrentes do uso abusivo do álcool.

Segundo dados da Associação Brasileira de Estudos sobre o Álcool e outras Drogas (Abead), de 1990, o alcoolismo é o terceiro maior motivo para absenteísmo ao trabalho e a oitava causa para concessão de auxílio-doença pela previdência social. Cerca de 75% dos acidentes de trânsito com vítimas fatais e 39% das ocorrências policiais estão associados ao uso de álcool. Se a isso for acrescida a destinação de 32% dos leitos hospitalares em psiquiatria e de 40% das consultas psiquiátricas a pacientes com abuso de álcool, é possível estimar que os custos diretos e indiretos com o consumo de álcool possam equivaler a 5,4% do PIB brasileiro.

As empresas têm notado que o uso abusivo do álcool e de outras drogas é um problema que afeta grande número de trabalhadores, e que o excesso e a freqüência desse abuso reduzem a eficiência e a segurança no trabalho (54% dos acidentes de trabalho decorrem do uso abusivo de álcool). A dependência crônica promove a desagregação familiar e leva à marginalização social.

Pesquise na Internet
  Procure se informar sobre as drogas e seus efeitos em diferentes sítios da Internet. Uma lista de referências temáticas é disponibilizada no link ao lado.


Leitura
 
O texto seguinte aborda a questão dos custos das drogas. Foi extraído do sítio www.terra.com.br/saude/drogas/ e apresenta dados interessantes sobre o montante financeiro efetivamente investido do Brasil no combate ao uso de drogas. Faça sua leitura tendo como foco os impactos sobre o sistema industrial brasileiro.

Nos últimos cinco anos, o Brasil gastou mais de R$ 550 milhões no tratamento de dependentes de álcool, cigarro e drogas ilícitas. Esse número representa apenas os custos com internações nos hospitais públicos e a medicação aplicada nos pacientes viciados, entre 1995 e o começo de 2000. A cifra pode ultrapassar os R$ 800 milhões, quando somados os gastos com as constantes campanhas antidrogas do governo e as atividades das polícias civis e militares no combate à disseminação do tráfico nesse mesmo período.

Nesses cinco anos, o alcoolismo foi considerado uma das doenças que mais atingem os brasileiros, figurando em 4o lugar na lista de doenças que mais incapacitam os trabalhadores, segundo relatório da Previdência Social. Em 1996, o SUS (Sistema Único de Saúde) registrou o número mais alto de casos de cirrose hepática no país, doença causada pelo consumo abusivo de bebidas alcoólicas, estando entre as sete principais causas de morte em pessoas acima de 15 anos. O que mais alarmou as autoridades médicas brasileiras foi o número de jovens internados— em estado grave por causa da bebida: 39.255, dos quais 3.626 morreram.

Segundo o Ministério da Saúde, os transtornos mentais causados pelo abuso de drogas são a segunda causa de internações nos centros psiquiátricos públicos. Nos últimos três anos, tornaram-se também um dos cinco principais tratamentos mais procurados nos hospitais convencionais da rede SUS. Um estudo, realizado pelo governo desde 1993, aponta que o número de internações por distúrbios mentais associados ao consumo de drogas dobrou: em 1993 o governo registrou 5.429 pacientes internados, e em 1999 esse número passou dos 11 mil. Só no último ano, o Brasil gastou mais de US$ 3 milhões exclusivamente com esse problema. Se comparado com o começo da década, o valor gasto triplicou. Em 1993, quando o governo começou a divulgar esses dados, o dinheiro dedicado ficou em cerca de US$ 900 mil.

Os problemas causados pelo fumo também merecem destaque nessa contagem. Segundo dados do Ministério da Saúde, o cigarro é responsável por 85% dos casos de aposentadoria por invalidez no trabalho, 30% dos casos de câncer, 25% dos casos de angina e 25% das doenças cérebro-vasculares. Até hoje o SUS gastou R$ 925.276.196,00 com o tratamento desses males.


Fichas de auto-avaliação
 
Para que você avance em seus conhecimentos sobre o uso de drogas, recomendamos que responda às questões disponibilizadas nas fichas de auto-avaliação sobre o tema.

pesquise na Internet
  O sítio www.puccamp.br/~drogas/ apresenta um texto sobre a prevenção do uso de drogas na escola e na família. Leia atentamente o texto e procure elaborar considerações semelhantes sobre a prevenção no âmbito da empresa. Com finalidade semelhante, o SESI-RS adequou à realidade brasileira estratégia desenvolvida no Canadá, que vem sendo aplicada desde o ano passado pelo SESI Nacional em 13 estados do país, por meio do programa SESI Prevenção do Uso de Drogas nas Empresas.
A aceitação por parte de empresários e trabalhadores tem sido excelente, pela facilidade de adaptação às diferentes realidades e pelo fato de não requerer especialistas para sua execução. Hoje, cerca de 20 mil trabalhadores de 33 empresas estão envolvidos.
O modelo usa o verde (siga), o amarelo (atenção) e o vermelho (pare), associados ao sinais de trânsito, para identificar os níveis de consumo de drogas, em especial, o álcool. O verde sinaliza as pessoas que não apresentam problemas, o amarelo se refere àquelas com problemas reversíveis, e o vermelho indica uma minoria dependente que necessita de tratamento especializado.
As ações desenvolvidas pelas empresas para seus empregados permitem que a grande maioria saudável desenvolva conhecimentos e atitudes para permanecerem na área verde, proporcionando condições de reflexão e autoconfiança aos que estão na área amarela e encaminhamento adequado para os dependentes da área vermelha.
Para dar continuidade a esse trabalho, o SESI Nacional está realizando pesquisa inicial com trabalhadores, a fim de conhecer aspectos relacionados às suas vidas pessoal, familiar e profissional. A entidade também acompanhará, por cerca de 18 meses, a execução do programa nas empresas participantes. As áreas de maior interesse escolhidas por todos, na pesquisa, servirão de base para o desenvolvimento de campanhas e de outras atividades.
Alicerçado nessa experiência, o SESI tem como meta expandir o programa para o restante do país, realizando uma ampla pesquisa sobre os impactos do uso de drogas na indústria brasileira.